Está pensando em começar um novo negócio ou gostaria de se profissionalizar mais e montar uma empresa? Já cogitou oferecer serviço de transporte?
O setor de transportes e correios está entre as cinco atividades que mais empregam no Brasil, de acordo com a Pesquisa Anual de Serviços de 2023, versão mais recente do relatório levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento também apontou que o setor foi o segundo com o maior faturamento, obtendo receita operacional líquida de R$ 897,7 bilhões. Dessa forma, ficou atrás apenas do setor de serviços profissionais, administrativos e complementares.
Considerando a relevância dos serviços de transporte de carga,, neste artigo, traremos mais detalhes sobre o que é, como funciona, quais tipos existem e o que é necessário para atuar na área de fretes e transporte de carga e ter sucesso.
Acompanhe para saber mais!
O que é um serviço de transporte?
O serviço de transporte é um acordo estabelecido entre duas partes — um contratante e um contratado — para que algo ou alguém seja transportado de um determinado local até o seu destino.
Via de regra, o serviço de transporte de mercadorias, também chamado de frete, pode ser realizado por diferentes prestadores de serviço. Entre eles, estão empresas transportadoras ou motoristas autônomos. Em alguns casos, a própria organização proprietária do bem ou produto é quem transporta a carga.
Contudo, o mais comum no setor é termos essas duas figuras distintas:
- Contratante ou embarcador: é a pessoa ou empresa que possui uma carga que precisa ser levada de um ponto a outro. Qualquer pessoa física ou jurídica pode contratar esse serviço, desde que cumpra com as regras fiscais em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e ao Imposto sobre Serviços (ISS);
- Contratado ou transportador: é a pessoa ou empresa que presta o serviço de transporte e trabalha realizando a movimentação da carga de um lugar para o outro. No Brasil, os prestadores de serviço de transporte podem ser enquadrados em uma dessas três categorias:
- Empresa de Transporte de Cargas (ETC);
- Cooperativa de Transporte de Cargas (CTC);
- Transportador Autônomo de Cargas (TAC).
O que é uma transportadora?
Quando o assunto é a parte contratada, ou seja, quem realiza a prestação de serviço de transporte, é comum que surjam dúvidas sobre o que é uma transportadora.
Saiba que esse conceito tem relação direta com a parte contratada.
Isso porque uma transportadora, em termos simples, é uma empresa que presta serviços de transporte, podendo se enquadrar como ETC ou CTC, dependendo da sua natureza jurídica.
Portanto, a transportadora é uma pessoa jurídica especializada em movimentar cargas de um ponto a outro, usando veículos próprios ou terceirizados.
Ela faz parte da cadeia logística e é responsável por garantir que produtos, mercadorias ou insumos cheguem ao destino com segurança, dentro do prazo e seguindo normas legais.
Quais tipos de serviço de frete existem?
Como vimos, existem diferentes oportunidades no mercado para quem quer ingressar e prestar serviço de transporte. Nesse sentido, é possível, por exemplo, atuar com diferentes formatos de carga nos mais variados nichos.
É por isso que é fundamental entender quais são os tipos de serviço de frete que existem.
Antes de explicarmos as possibilidades, é necessário ressaltar que quando falamos em tipos de fretes, as classificações costumam estar relacionadas ao modelo de envio, formas de contratação e características das cargas.
Vamos entender melhor?
Tipos de frete de acordo com modelo de envio
Quanto ao modelo de envio, existem dois tipos de fretes comuns: CIF e FOB.
No CIF (Cost , Insurance and Freight), o embarcador, isto é, quem vende a mercadoria, é responsável pelos custos do transporte, garantindo que a carga chegue em condições adequadas no local combinado com o comprador.
Já no modelo FOB (Free on Board), o comprador é o responsável pela mercadoria a partir do momento em que ela sai do local de origem.
Nesse caso, a responsabilidade pelos riscos relacionados ao transporte e os custos são do comprador.
Tipos de frete de acordo com a contratação
Os tipos de frete também podem ser classificados de acordo com a forma que são contratados.
Isso porque existem alguns modelos de contratação comuns no transporte, veja:
Normal
Quando uma única transportadora é contratada para realizar todo o percurso, do ponto de origem até o destino final.
Nesse caso, uma única empresa é responsável pela carga durante toda a operação. Este é um modelo mais simples, sendo fundamental para entendermos os próximos.
Exemplo: Transportadora A coleta em São Paulo e entrega diretamente em Curitiba.
Subcontratação
Ocorre quando a transportadora contratada pelo cliente terceiriza o serviço para outra transportadora, mas continua sendo a responsável frente ao embarcador.
Ou seja, a empresa contratada originalmente emite o CTe principal e a transportadora que realiza o transporte físico emite o CTe de subcontratação.
Exemplo: A empresa A foi contratada pelo embarcador, mas repassa o transporte para a empresa B.
Redespacho
Ocorre quando mais de uma transportadora participa da operação, dividindo trechos diferentes do percurso.
A primeira transportadora leva até um ponto intermediário, a segunda transportadora segue até o destino final e cada uma emite seu próprio CTe.
Exemplo: Transportadora A leva até o hub em Belo Horizonte e a transportadora B continua até Salvador.
Esse modelo é muito usado em transporte fracionado e longas distâncias.
Redespacho Intermediário
Semelhante ao redespacho, mas com um trecho intermediário executado por outra transportadora, sem alterar o emissor do CTe para o cliente.
A empresa principal emite o CTe completo do trajeto, do início ao fim. Em seguida, uma transportadora parceira executa apenas o trecho intermediário.
A empresa parceira emite CTe de redespacho intermediário para a principal.
É usado quando a transportadora quer manter a responsabilidade integral perante o embarcador.
Vinculado a Multimodal
É utilizado quando o transporte envolve mais de um modal (rodoviário, ferroviário, aquaviário, aéreo etc) e é coordenado por um Operador de Transporte Multimodal (OTM).
O OTM emite o CTMC (Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas). Cada transportadora contratada para um trecho ou modal emite o CTe vinculado a multimodal.
A responsabilidade pela operação como um todo é do OTM.
Exemplo: Trecho rodoviário + trecho ferroviário + trecho rodoviário final, tudo coordenado por um OTM.
Tipos de frete de acordo com as características da carga
Os tipos de fretes também estão relacionadas às características das cargas:
Carga leve
São cargas com baixo peso por volume. Geralmente ocupam muito espaço no veículo, mas pesam pouco.
Exemplos: produtos de higiene, embalagens, eletroeletrônicos leves.
Carga pesada
São cargas com alta densidade, ou seja, muito peso em pouco espaço.
Exemplos: aço, cimento, grãos ensacados, minerais.
Carga fracionada
Cargas pequenas ou médias, de vários clientes diferentes, que compartilham o mesmo veículo.
É coletada e entregue em diferentes pontos.
Exemplos: encomendas, caixas diversas, e-commerce.
Carga lotação
Quando um único cliente ocupa todo o veículo, seja pelo volume, peso ou reserva exclusiva.
Nesse caso, origem e destino únicos, não há paradas intermediárias.
Exemplos: cargas industriais completas, alimentos para supermercados, grande volume de caixas.
Carga de alto valor agregado
Produtos com alto valor financeiro, risco elevado e maior exigência de segurança.
Exemplos: eletrônicos, medicamentos, celulares, peças automotivas.
Como funciona um serviço de transporte?

O prestador de serviço que realiza fretes recebe um determinado valor para transportar um bem ou uma mercadoria. Para fazer isso de forma eficiente, esse tipo de negócio precisa ter um processo interno muito bem organizado.
Essa operação é um tanto complexa e inclui diversos elementos, como rotinas administrativas, gestão de entregas, consolidação das cargas, planejamento de rotas, monitoramento das cargas, gerenciamento de riscos, cobrança de frete etc.
Ademais, a logística do negócio também terá que considerar o tipo de serviço de transporte que será realizado e o território de atuação. Aqui, é preciso saber se será apenas dentro do próprio estado ou se vai conectar diferentes estados ou até regiões do país. Tudo isso é fundamental para determinar como a empresa deverá se organizar para prestar os serviços.
Dito isso, o funcionamento de um serviço de transporte depende de diversos fatores, mas, de forma geral, as principais etapas do transporte de carga são:
- Contratação;
- Documentação e regularização;
- Coleta e acondicionamento da carga;
- Transporte e logística;
- Entrega e distribuição final;
- Registro, faturamento e rastreio.
Como oferecer serviço de transporte?

No início das atividades de um negócio desse tipo, é comum que se comece transportando cargas menores e que se faça trajetos mais curtos para, com o tempo, estabilizar-se e ampliar os serviços.
De qualquer forma, em primeiro lugar, é preciso definir qual será o âmbito de atuação da empresa e o(s) tipo(s) de transporte que realizará. Isso deverá servir de ponto de partida para todo o resto, inclusive, para a elaboração do plano de negócios.
Uma das decisões importantes que o empreendedor deve tomar inicialmente é, por exemplo, se vai investir em uma frota própria, ou seja, adquirir os veículos, ou se vai optar por começar com uma frota terceirizada. Ambos os cenários têm prós e contras e cada situação em particular precisa ser avaliada.
Ainda, outros pontos importantes que merecem atenção antes da abertura da transportadora são a análise da melhor localização para a sua sede, além de um exame do orçamento disponível e de uma estimativa dos custos do projeto.
Ademais, ter um planejamento financeiro completo, incluindo todos os gastos e despesas do negócio — folha de pagamento, luz, água, telefone, internet, combustível, manutenção da frota — é o ideal para começar com o pé direito.
O que é preciso para dar os primeiros passos?
Sem dúvidas, é necessário ter à disposição um capital inicial a ser investido para começar a oferecer serviço de transporte. No caso de desejar investir em frota própria, esse montante deverá ser ainda maior.
Por outro lado, começar com fretes de pequenos volumes pode significar um investimento menor, já que não será necessário adquirir caminhões grandes e nem montar uma infraestrutura tão grande.
De qualquer modo, é preciso considerar que alguma estrutura será necessária, incluindo equipamentos para a operação e o conforto dos colaboradores e clientes. Sem esquecer também, evidentemente, da segurança dos veículos e das cargas.
Portanto, para começar, além dos veículos, itens como computadores, impressoras, telefones, mobiliário, balanças, rastreadores e outros equipamentos relacionados ao gerenciamento de riscos serão fundamentais. Por fim, também será preciso formar uma equipe de colaboradores que faça o negócio rodar.
Quais são os documentos necessários para oferecer serviço de transporte?
A preparação da documentação necessária é um dos passos mais importantes no processo de abertura de um empreendimento de serviço de transporte. Como sabemos, existe uma série de burocracias a serem cumpridas para atuar em conformidade com a legislação.
Como em qualquer outro negócio, inicialmente, será preciso providenciar o CNPJ, o alvará de funcionamento e fazer o registro nos diferentes órgãos — Junta Comercial, Receita Federal, Secretaria Estadual da Fazenda, Prefeitura e Corpo de Bombeiros. A depender do caso, pode ser necessário também uma licença sanitária.
Contudo, é preciso atentar também para as normas específicas relacionadas ao setor de transporte. Isso inclui, principalmente, as exigências legais da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), órgão responsável pela regulação e fiscalização dos serviços de transporte de cargas e passageiros no país.
Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC)
De acordo com a Resolução ANTT nº 4.799 de 2015, todo o trabalho remunerado que envolve o transporte de cargas deve ser regulamentado por meio do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC).
O cadastro serve para identificação e formalização dos prestadores desse tipo de serviço. Ele pode ser feito pela internet, por meio de uma ferramenta disponibilizada em 2020 pela ANTT, ou presencialmente, em um posto de atendimento credenciado.
Para fazer o registro, o transportador deverá apresentar a respectiva documentação, que varia de acordo com a categoria no qual ele se enquadra (TAC, ETC ou CTC). Os motoristas e as transportadoras que atuarem sem o RNTRC ou com o cadastro vencido, cancelado, desatualizado ou com informações falsas estão sujeitos a penalidades. Entre elas, o pagamento de multas que podem chegar a R$ 3 mil.
Quanto custa 1 km de frete?
O custo do frete é uma curiosidade comum para quem deseja começar a prestar serviço de transporte e quer entender se vale a pena.
Contudo, é muito difícil dizer com precisão quanto custa o km de frete. Isso acontece porque valor depende de vários fatores, como:
- Tipo de carga;
- Tipo de veículo;
- Região e rota realizada;
- Distância a ser percorrida;
- Eixos do veículo;
- Seguro;
- Entre outros.
No caso do transporte rodoviário, por exemplo, a tabela da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) é usada como referência para definir o piso mínimo do frete, ou seja, o valor mínimo de cobrança.
A ideia é evitar que os transportadores saiam no prejuízo. Por isso, os valores são atualizados anualmente.
A versão da tabela foi publicada em 2025 a partir da Portaria Suroc n° 23, de 27 de maio de 2025.
Considerando, então, os valores definidos pela Tabela ANTT, utiliza-se uma fórmula para cálculo do piso mínimo de frete.
Piso mínimo de frete (R$/viagem) = (distância x custo de deslocamento) + carga e descarga
Vamos a um exemplo?
Consideramos as seguintes informações:
Tipo de carga: Carga geral
Quantidade de eixos carregados: 7 eixos
Distância da viagem: 300 km
Modelo de contratação: Tabela A (transportador com seu próprio veículo + implemento)
Modalidade da carga: lotação
Dito isso…
CCD (custo de deslocamento) = R$ 7,2119 por km
CC (carga e descarga) = R$ 728,74
Piso mínimo = (300 km × 7,2119) + 728,74
Piso mínimo = 2.892,31
Nesse caso, o valor do km ficaria em R$ 9,64 para esse trajeto.
Mas esse é apenas um exemplo. Se quiser saber mais detalhes sobre o cálculo do frete no transporte rodoviário, recomendamos a leitura deste artigo!
Qual transporte dá mais dinheiro?
Todo mundo que começa um negócio precisa se preocupar com o lucro e considerar esse fator pode ser importante na hora da escolha do tipo de serviço de transporte que deseja oferecer.
Responder qual transporte dá mais dinheiro não é uma tarefa fácil, já que depende de variáveis como valor da carga, riscos associados, especialização, barreiras de entrada, etc.
Contudo, existem alguns tipos de cargas transportadas que costumam gerar mais lucro.
Como exemplo podemos citar algumas:
- Cargas especiais e de grande porte;
- Cargas líquidas não perigosas;
- Cargas vivas;
- Cargas frigoríficas;
- Medicamentos;
- Mudança;
- Encomendas urgentes.
Serviço de transporte pode ser MEI?
Sim, quem presta serviço de transporte como autônomo pode ser MEI (Microempreendedor Individual).
É possível se cadastrar no regime como Transportador Autônomo de Carga, conhecido como MEI Caminhoneiro pelo Portal do Empreendedor no gov.br.
No entanto, é importante saber que o MEI Caminhoneiro possui regras, ou seja, não é qualquer tipo de transportador que pode optar por esse regime de tributação.
As ocupações permitidas para esse modelo são:
- Transportador Autônomo De Carga – Municipal;
- Transportador Autônomo De Carga Intermunicipal, Interestadual e Internacional;
- Transportador Autônomo De Carga – Produtos Perigosos;
- Transportador Autônomo De Carga – Mudanças.
As principais regras para se enquadrar no MEI Caminhoneiro incluem:
- O MEI pode faturar até R$ 251,6 mil por ano, considerando o limite proporcional quando a empresa é aberta no meio do ano;
- O pagamento mensal inclui 12% de contribuição ao INSS, mais R$ 5,00 de ISS ou R$ 1,00 de ICMS, conforme a atividade;
- O titular não pode participar de outra empresa, seja como sócio, administrador ou dono;
- Não é permitido ter filial, apenas a sede original;
- O MEI pode ter somente um funcionário, que deve receber o salário mínimo ou o piso da categoria profissional, quando existir.
Quais são as exigências legais para trabalhar com serviço de transportes?
Atender às exigências legais é muito importante para garantir que o serviço está sendo prestado de acordo com a legalidade.
É comum que haja dúvida sobre quais são as exigências legais, afinal, existem muitos documentos que podem estar relacionados, a depender das condições do serviço de frete a ser prestado.
Separamos as principais legislações que você precisa conhecer para começar a trabalhar com transporte de carga.
Lei 11.442/2007
A Lei 11.442/2007 regulamenta o transporte rodoviário de cargas no Brasil, definindo direitos e deveres de transportadores autônomos, empresas e contratantes.
Ela estabelece as bases legais para a contratação, remuneração e operação do transporte de cargas no país.
Lei 13.103/2015
A Lei 13.103/2015 regulamenta os direitos e deveres dos motoristas profissionais de cargas e passageiros, definindo jornada de trabalho, descanso obrigatório, exames toxicológicos, pagamento de frete e regras de remuneração por espera e descarga.
Resolução ANTT 5.232/2016
A Resolução ANTT 5.232/2016 estabelece as regras para o transporte rodoviário remunerado de cargas, definindo critérios para cadastro, operação, fiscalização e penalidades aplicáveis às transportadoras e transportadores autônomos.
O documento organiza como as empresas devem atuar para garantir segurança, regularidade e conformidade no setor.
Lei 14.599/2023
A Lei 14.599/2023 atualiza o marco legal do transporte rodoviário de cargas, estabelecendo regras para a contratação, operação e remuneração do setor.
Também torna obrigatórios os seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V para transportadores, garantindo proteção à carga e aos terceiros envolvidos no transporte.
Como funciona contrato de prestação de serviço de frete?
Um contrato de prestação de serviço de frete é o documento que formaliza a relação entre o embarcador (quem contrata o transporte) e o transportador (quem executa o frete).
Ele define direitos, obrigações, responsabilidades e condições do transporte.
Conforme o art. 730 do Código Civil, “pelo contrato, alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um lugar para o outro, pessoas ou coisas”.
Nesse sentido, o documento estabelece as regras para os contratos de transporte, dividindo em dois tipos: transporte de pessoas e transporte de coisas.
Isso significa que o funcionamento de um contrato de transporte depende do tipo, incluindo o que ou quem está sendo transportado.
O art. 734, por exemplo, dispõe que o transportador tem responsabilidade sobre danos causados aos passageiros:
“O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade”.
Quando é feito o transporte de objetos, é necessário que haja especificações, como prevê o art. 743:
“A coisa, entregue ao transportador, deve estar caracterizada pela sua natureza, valor, peso e quantidade, e o mais que for necessário para que não se confunda com outras, devendo o destinatário ser indicado ao menos pelo nome e endereço”.
Dito isso, é essencial estar ciente sobre as regras antes de realizar qualquer contrato de transporte.
De forma geral, um contrato de transporte inclui as seguintes informações (sabendo que podem ser necessários dados diferentes a depender do tipo de transporte):
- Identificação das partes;
- Objeto de contrato;
- Valor e forma de pagamento;
- Responsabilidades das partes;
- Seguro obrigatório;
- Documentação de transporte;
- Prazos e penalidades;
- Obrigações legais;
- Vigência;
- Assinatura e formalização.
Como emitir nota fiscal de serviço de transporte?
Primeiro, você deve estar ciente de que existem diferentes tipos de documentos fiscais. Cada um possui sua função e são aplicados em situações diferentes.
A nota fiscal de transporte (NFS-e), por exemplo, é emitida quando é realizado um transporte municipal. Enquanto isso, a nota fiscal eletrônica (NF-e) é usada para movimentações entre empresas nacionais.
Também existe o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) para transportes de carga nacionais ou internacionais e o Manifesto Eletrônico de Frete (MDF-e), essencial para formalizar dados sobre a movimentação.
A emissão do documento depende do tipo. O CT-e, por exemplo, precisa ser emitido a partir de credenciamento no SEFAZ (Secretaria da Fazenda), já a NF-e precisa do credenciamento na sua prefeitura para poder emitir.
O que saber sobre seguro obrigatório para serviço de transporte?
Outra exigência que deve ser cumprida para a atuação legal como prestador de serviço de transporte é a contratação do Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário (RCTR C).
O seguro é obrigatório para todos os transportadores, segundo determinado pelo Decreto-Lei nº 73/1966, o Decreto nº 61.867/1967 e o Comunicado nº 001/2018 da ANTT.
De acordo com este último, “toda operação de prestação de serviço de transporte, realizada por quaisquer categorias de transportador rodoviário remunerado de cargas, deve estar acobertada pelo seguro RCTR C, o qual tem que ser contratado pelo próprio transportador ou pelo contratante do serviço em nome do transportador”.
O RCTR C também é conhecido como Seguro Acidentes e garante indenização ao transportador em caso de perdas ou danos em decorrência de acidentes rodoviários envolvendo o veículo em território nacional. A apólice costuma cobrir capotagens, tombamentos, colisões, abalroamentos, choques violentos, incêndios e explosões.
Outros seguros obrigatórios por lei são o RC-DC (Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga) e o RC-V (Seguro de Responsabilidade Civil do Veículo).
A obrigatoriedade de ambos é prevista pela Lei 14.599/2023, sendo RC-DC voltado para proteção em casos de perdas de carga por conta de roubo ou furto. Já o RC-V cobre danos materiais ou físicos causados a terceiros.
Sendo assim, ao contratá-los, além de estar cumprindo a lei, a empresa mitiga os riscos envolvidos no transporte rodoviário e reduz possíveis prejuízos com eventuais acidentes, que são, infelizmente, muito comuns nas rodovias brasileiras.
Como prospectar clientes para serviço de transporte?
Bom, agora que já sabe como funciona esse tipo de negócio e o que é preciso para começar a oferecer serviços de transporte, você deve estar se perguntando como conquistar os primeiros clientes para o empreendimento.
Primeiramente, depois de ter estabelecido a sua área de atuação, também é essencial definir o perfil de cliente para quem você deseja vender os seus fretes. Tendo essa definição inicial será muito mais fácil ser assertivo na hora da busca.
O networking é muito importante na prospecção de clientes e a sua base é a construção de relações profissionais sólidas. Logo, é interessante que o empreendedor estabeleça parcerias com outras empresas que atendem o mesmo perfil de cliente, além de participar de eventos nos quais pode encontrar essas pessoas.
A divulgação também é uma parte importante desse processo e será preciso investir em comunicação e marketing para que a empresa chegue até as pessoas e organizações que precisam desses serviços. Além de cartões de visitas, placas e banners, sabemos que, atualmente, não dá para deixar de fora a parte digital. Portanto, é preciso ter uma estratégia também para vender na internet.
Por fim, determinar metas de vendas e aquisição de novos clientes é interessante para promover o crescimento do negócio. Isso porque, mesmo depois de estar mais estabelecido, é sempre bom diversificar a carteira de clientes em um mercado tão concorrido como o de fretes.
Dúvidas frequentes
É possível que você ainda tenha algumas dúvidas sobre serviços de transporte.
Respondemos as principais delas:
Como montar uma transportadora de pequenos volumes?
Montar uma transportadora de pequenos volumes é um investimento que, como qualquer outro, envolve uma série de burocracias. Contudo, pode ser uma boa aposta para quem quer começar no ramo de serviço de fretes.
Nesse sentido, podemos destacar alguns passos importantes para montar uma transportadora de pequenos volumes, como:
- Definir o nicho;
- Regularizar a empresa;
- Organizar a operação;
- Estruturar contratos de frete de acordo com as determinações legais;
- Contratar seguros obrigatórios;
- Investir em tecnologias de rastreamento.
Qual o valor da diária de um caminhão?
A diária de um caminhão varia conforme o porte do veículo, a região e o tipo de operação.. Caminhões leves tendem a ter diárias menores, enquanto veículos pesados ou especializados (como baú refrigerado) costumam custar mais.
O valor geralmente inclui o uso do veículo, depreciação, manutenção e lucro, mas não inclui combustível, pedágio ou motorista, que podem ser cobrados à parte.
Empresas definem a diária para cobrir períodos de espera, carga parada ou operações por tempo, e não por quilômetro rodado.
O que é serviço de transporte intermunicipal e interestadual?
O serviço de transporte intermunicipal é aquele realizado entre dois municípios dentro do mesmo estado, como levar uma carga de Campinas para Ribeirão Preto.
Já o serviço de transporte interestadual ocorre quando o trajeto cruza a fronteira de estados, por exemplo, de São Paulo para Minas Gerais.
A diferença importa porque o transporte intermunicipal normalmente é regulado pelo estado e tributado pelo ISS em algumas situações específicas, enquanto o transporte interestadual é regulado pela União e sempre tributado pelo ICMS.
Como prestar serviço de transporte para o Mercado Livre?
Quem deseja prestar serviço de transporte para o Mercado Livre pode se cadastrar no site da empresa como um motorista parceiro.
Contudo, é importante se atentar às regras para a vinculação, como ter um Termo de Autorização de Carga (TAC), RNTRC ativo, CNH para atividade remunerada e emissão de nota fiscal com CNPJ.
Mais detalhes podem ser conferidos direto com o Mercado Livre.
Como funciona o serviço de frete e transporte de pequenas cargas?
O serviço de frete e transporte de pequenas cargas funciona com foco em agilidade, rotas curtas e entregas rápidas. Geralmente utiliza veículos leves, como Fiorino, vans e utilitários, ideais para e-commerce, encomendas fracionadas e volumes menores.
O cliente contrata o frete por demanda ou por rota, informa peso, volume e destino, e a transportadora calcula o valor com base na distância, tempo e tipo de carga.
Durante o transporte, a carga é rastreada e entregue diretamente ao destinatário, sem necessidade de lotação completa do veículo.
Quem trabalha com frete é o que?
Quem trabalha com frete pode ser chamado de transportador, mas o nome correto depende da forma de atuação:
- TAC – Transportador Autônomo de Cargas: motorista que trabalha por conta própria usando veículo próprio;
- ETC – Empresa de Transporte de Cargas: quando a pessoa tem CNPJ e opera como transportadora;
- CTC – Cooperativa de Transporte de Cargas: quando atua em cooperativa;
No dia a dia, também é comum chamar de caminhoneiro, transportador, freteiro ou prestador de serviço de transporte.
Ou seja, quem trabalha com frete é um profissional do transporte de cargas, seja como autônomo ou como empresa.
O que é uma cooperativa de frete?
Uma cooperativa de frete é uma organização formada por motoristas ou transportadores que se unem para trabalhar de forma coletiva, compartilhando custos, estrutura e oportunidades.
Cada membro é dono do próprio veículo, mas a cooperativa centraliza a captação de fretes, negocia contratos maiores, repassa as cargas aos cooperados e oferece benefícios como manutenção mais barata, seguros coletivos e apoio administrativo.

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