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Roubo de carga: cargas mais roubadas, impactos na operação logística, como evitar e o que fazer se acontecer

R$ 1,2 bilhão. Esse foi o prejuízo causado pelos roubos de carga no Brasil em 2024, ano em que mais de 10 mil cargas foram roubadas no país.

Ou seja, em média, 27 roubos de carga aconteceram todos os dias no país. Os dados são da NTC&Logística e da Sinesp, publicados no Jornal da USP

Por trás desses números existe uma realidade que muitas empresas conhecem bem. Afinal, uma carga roubada também representa entregas atrasadas, contratos em risco, aumento dos custos operacionais, problemas com clientes e impactos diretos no caixa da empresa. 

E claro, esse prejuízo não se restringe às transportadoras. O roubo de carga afeta toda a cadeia logística, aumenta os custos operacionais e contribui para o encarecimento dos produtos que chegam ao consumidor final. 

Por isso, entender como funciona o roubo de carga e outras informações relacionadas pode ajudar a reduzir esse risco. Então, continue a leitura e saiba mais!

O que é roubo de carga?

É o crime em que mercadorias transportadas são subtraídas mediante ameaça, violência ou intimidação contra o motorista ou responsável pelo transporte.

Além de comprometer a segurança da operação, essa prática favorece o mercado ilegal, aumenta a exposição a riscos logísticos e afeta o abastecimento de diversos setores da economia. 

Por exemplo, pense que uma transportadora esteja realizando a entrega de uma carga de eletrônicos avaliada em R$ 300 mil. Durante o trajeto, criminosos interceptam o veículo e roubam toda a mercadoria.

Em poucas horas, a empresa que sofreu o roubo de carga precisa lidar com uma série de consequências: 

  1. Comunicar o cliente sobre a não entrega;
  2. Reorganizar a operação;
  3. Apurar responsabilidades;
  4. Encontrar uma forma de minimizar os impactos do ocorrido. 

Qual é a tipificação do crime de roubo de carga?

Não possui tipificação específica no Código Penal. Em geral, a conduta é enquadrada como crime de roubo, previsto no artigo 157, quando há subtração de mercadorias mediante grave ameaça ou violência. Dependendo das circunstâncias, como uso de arma ou atuação em grupo, podem ser aplicadas causas de aumento de pena. 

Qual a diferença entre roubo e furto de carga?

A diferença está na forma como o crime é cometido. No roubo de carga, há ameaça, violência ou intimidação contra o motorista ou responsável pela mercadoria. Já no furto de carga, a carga é levada sem o conhecimento da vítima, que não está presente no momento da ação. 

Quer saber mais? Confira o nosso artigo sobre a diferença entre furto e roubo no seguro de carga: entenda qual é e como se proteger dos riscos!

Qual o índice de roubo de cargas no Brasil?

Alcançou 8.750 ocorrências em 2025, segundo a NTC&Logística, como publicado na CNN Brasil. Os prejuízos diretos foram estimados em cerca de R$ 900 milhões, podendo superar R$ 1 bilhão ao somar impactos adicionais para as empresas, como despesas extras com transporte, proteção das operações e repasses ao consumidor. 

Para entender a dimensão do problema, basta dividir os números pela rotina do setor. As 8.750 ocorrências registradas em 2025 representam aproximadamente 24 roubos de carga por dia, praticamente um caso a cada hora.

Isto é, enquanto transportadoras, embarcadores e operadores logísticos trabalham para cumprir prazos e manter suas operações em movimento, cargas continuam sendo desviadas diariamente em diferentes regiões do país.

Por que o roubo de carga continua crescendo?

Porque o crime tem se tornado mais sofisticado. De acordo com a NTC&Logística, grupos criminosos atuam de forma organizada e contam com redes de receptação que facilitam a comercialização das mercadorias roubadas, o que torna o combate a esse tipo de ocorrência um desafio permanente para o setor. 

Segundo o presidente da NTC&Logística, Eduardo Rebuzzi, conforme publicado pelo Fetranscarga:

“[..] Um dos pontos centrais para reduzir o roubo de cargas é o combate à receptação, que sustenta economicamente esse tipo de crime”. 

Em outras palavras, a carga roubada só gera lucro para os criminosos quando encontra compradores dispostos a adquirir ou revender esses produtos. Por isso, o combate à receptação é considerado uma das principais estratégias para enfraquecer toda a cadeia criminosa envolvida no roubo de cargas. 

Ao mesmo tempo, houve um avanço no combate ao roubo de cargo com a sanção da Lei nº 15.358/2026, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil. A medida fortalece o enfrentamento das estruturas criminosas e aumenta os mecanismos de investigação e punição. 

A notícia é positiva, mas a realidade é que transportadoras, operadores logísticos e embarcadores continuam convivendo com o risco de roubo de carga. Então, além de acompanhar os avanços no combate ao crime, muitas empresas também investem em prevenção e proteção financeira para reduzir os impactos caso uma ocorrência aconteça.

Como funciona a “indústria bilionária” de roubo de carga?

O processo geralmente funciona assim:

  • Escolha da carga e da rota: grupos criminosos identificam mercadorias com alta demanda e fácil revenda;

  • Abordagem do veículo: o motorista é rendido e a carga é levada para outro local;

  • Fracionamento dos itens roubados: os produtos são divididos em pequenas quantidades para dificultar o rastreamento da origem;

  • Redistribuição e revenda: a carga roubada é repassada para intermediários ou pontos de venda irregulares por preços abaixo dos praticados legalmente;

  • Manutenção do ciclo criminoso: os produtos encontram compradores e voltam ao mercado, alimentando financeiramente novas ações criminosas. 

Um caso investigado pela Polícia Federal e publicado no G1 ajuda a ilustrar a realidade do roubo de carga. 

Na Operação Cargas D’Água, uma quadrilha suspeita de roubar cargas dos Correios e do Mercado Livre em Minas Gerais e na Bahia foi alvo de investigações por atuar com planejamento, divisão de tarefas e uma estrutura voltada à redistribuição dos produtos roubados.

A notícia reforça como, muitas vezes, o roubo de carga não termina quando o veículo é interceptado. Existe toda uma cadeia preparada para receber, distribuir e revender as mercadorias, o que ajuda a explicar por que esse crime ainda é um desafio para o setor de transporte e logística.

Quais são os tipos de roubo de carga?

Os tipos são classificados conforme o modal de transporte utilizado. As principais modalidades são o roubo de carga rodoviária, ferroviária, marítima e aérea.

Cada uma apresenta riscos, desafios operacionais e necessidades de proteção específicas, o que pode influenciar diretamente as estratégias de segurança e as coberturas de seguro adotadas. 

Isto é, nem todo roubo de carga acontece da mesma forma. O local da ocorrência, o tipo de transporte utilizado e as características da operação afetam os riscos envolvidos e até mesmo as estratégias de proteção adotadas pelas empresas. Confira as principais modalidades:

Tipo de roubo de cargaComo aconteceCaracterísticas
RodoviáriaOcorre durante o transporte em rodovias, estradas ou áreas urbanas, geralmente com abordagem ao motorista e tomada do veículo.É a modalidade mais comum no Brasil e uma das principais preocupações do setor logístico.
FerroviáriaAcontece durante o transporte por trens ou em pátios ferroviários.Pode envolver grandes volumes de mercadorias em uma única ocorrência.
MarítimaOcorre em navios, embarcações, portos ou terminais de carga.Costuma impactar operações de comércio exterior e movimentação de contêineres.
AéreaAcontece durante o transporte por aeronaves ou em áreas aeroportuárias.Geralmente envolve produtos de alto valor agregado, como eletrônicos e medicamentos.

Aproveite a visita e leia também sobre transporte intermodal e multimodal: o que são, diferenças, como funcionam e qual a melhor opção?

Quais cargas são mais roubadas no Brasil?

Alimentos, medicamentos, combustíveis e eletrônicos estão entre as cargas mais roubadas no Brasil (Nstech). Por exemplo, os medicamentos tiveram um salto de 1,7% para 22,3% na participação dos prejuízos causados por roubos de carga, enquanto o segmento alimentício passou de 20,1% para 26,5%. 

Por que algumas cargas são mais visadas pelos criminosos?

Porque possuem alta liquidez, ou seja, podem ser revendidas com facilidade no mercado ilegal. Além da facilidade de revenda, esses produtos costumam ter demanda constante e menor rastreabilidade após o desvio, o que aumenta o interesse das quadrilhas e dificulta a recuperação da carga. 

Quais os impactos do roubo de carga para as empresas?

Pode ocorrer prejuízos financeiros, atrasos nas entregas, danos à reputação e aumento dos custos operacionais. Os impactos também costumam atingir consumidores. Um exemplo ocorreu no Rio de Janeiro, onde os Correios chegaram a restringir entregas em cerca de 44% dos CEPs da cidade devido aos riscos de roubos (Folha de S. Paulo).

Em parte dessas regiões, as encomendas só podiam ser entregues com apoio de escolta armada. Em outras, os clientes precisavam se deslocar até uma agência para retirar seus pedidos. Diante desse quadro, as empresas precisam de investimentos adicionais em segurança, gerenciamento de riscos e monitoramento. 

Ao mesmo tempo, atrasos e restrições nas entregas podem afetar a percepção do cliente sobre a qualidade do serviço, mesmo quando o problema foge do controle da transportadora ou do embarcador. 

A tabela abaixo resume os principais impactos do roubo de carga e seus reflexos:

Impacto do roubo de cargaComo afeta a empresa
Prejuízos financeiros diretosPerda da mercadoria transportada, custos com reposição dos produtos, franquias de seguro e despesas relacionadas à ocorrência.
Danos à reputação e à confiança dos clientesFalhas na entrega podem comprometer a percepção de confiabilidade da empresa e prejudicar relacionamentos comerciais.
Atrasos nas entregas e interrupções operacionaisA ocorrência pode exigir reprogramação de rotas, reposição de cargas e ajustes no planejamento logístico.
Aumento dos custos com segurança e gerenciamento de riscosEmpresas podem precisar investir mais em rastreamento, monitoramento, escolta, treinamento de equipes e outras medidas preventivas.
Maior complexidade operacionalÁreas consideradas de risco podem exigir procedimentos adicionais, restrições de atendimento ou mudanças na operação logística.
Impactos para consumidores e para a economiaO aumento dos custos logísticos pode ser repassado ao preço final dos produtos, além de afetar prazos e disponibilidade de mercadorias.

Veja também avaria de mercadoria: o que fazer para evitar esse problema?

Quem responde pelos prejuízos em caso de roubo de carga?

Normalmente, o transportador responde pelos prejuízos. Porém, segundo o entendimento do STJ, a responsabilidade pode ser afastada se a empresa comprovar que adotou todas as medidas razoáveis para prevenir o crime.

Logo, a existência de um Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) e de evidências de diligência pode ser determinante. 

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Como evitar roubo de carga?

É fundamental combinar medidas preventivas e estratégias de proteção. Entre as principais práticas estão o planejamento de rotas seguras, o monitoramento dos veículos em tempo real, a capacitação dos motoristas, a implementação de um programa de gerenciamento de riscos e a contratação de seguros adequados para a operação. 

Quer entender detalhadamente? Acompanhe a nossa tabela:

Medida para prevenir roubos de cargaComo aplicar na prática
Planejar rotas mais segurasAvalie previamente o trajeto e priorize vias com menor histórico de ocorrências, melhor infraestrutura e maior circulação de pessoas e veículos.
Evitar trajetos previsíveisSempre que possível, alterne rotas, horários e pontos de parada para reduzir a previsibilidade da operação.
Priorizar viagens diurnasConcentre deslocamentos em períodos de maior movimentação, quando a visibilidade é melhor e há menor exposição a áreas isoladas.
Reduzir o tempo de paradaPlaneje abastecimentos, refeições e descansos para minimizar permanências desnecessárias durante o trajeto.
Capacitar motoristas e equipesTreine os profissionais para identificar situações de risco, seguir protocolos de segurança e agir corretamente em caso de ocorrência.
Fortalecer a comunicação operacionalMantenha contato frequente entre motoristas, central de monitoramento e gestores para agilizar respostas a desvios ou incidentes.
Monitorar veículos em tempo realUtilize rastreamento, telemetria e sistemas de monitoramento para acompanhar a localização e o comportamento da operação.
Implementar um programa de gerenciamento de riscos (PGR)Estabeleça procedimentos formais para identificar vulnerabilidades, definir medidas preventivas e monitorar riscos da operação.
Reforçar a segurança de galpões e centros de distribuiçãoAdote controle de acesso, monitoramento por câmeras, iluminação adequada e protocolos de segurança para proteger mercadorias armazenadas.
Contratar seguro contra roubo de cargaO RC-DC é a modalidade mais associada a roubos e desaparecimentos de carga. Dependendo do modal, também podem ser relevantes coberturas como RCTA-C, RCA-C e RCTF-C

O que fazer após um roubo de carga?

Registre um boletim de ocorrência, comunique as autoridades competentes e documente todas as informações do caso. Empresas com seguro devem acionar a seguradora o mais rápido possível para iniciar o processo de indenização. Já operações sem cobertura precisam absorver os prejuízos e conduzir a recuperação da operação com recursos próprios. 

Quais tecnologias ajudam a combater o roubo de carga?

As principais são:

  • Geolocalização e rastreamento: acompanham a localização do veículo em tempo real;

  • Videotelemetria: monitora o veículo e o comportamento do motorista por meio de câmeras e sensores;

  • Telemetria: identifica desvios de rota e outras situações de risco;

  • Cercas eletrônicas (geofencing): geram alertas quando o veículo entra ou sai de áreas definidas;

  • Centrais de monitoramento 24 horas: permitem respostas mais rápidas a incidentes.

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O roubo de carga é uma realidade rotineira do transporte de mercadorias no Brasil. Com milhares de ocorrências registradas todos os anos, nenhuma empresa está 100% imune ao problema. Porém, os prejuízos podem ser reduzidos, como ao contar com um seguro, que respalda você financeiramente.

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