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Vishing: como funciona esse golpe de engenharia social, principais sinais e como empresas podem se proteger

O que é vishing?

Há alguns anos, golpes digitais eram mais fáceis de identificar. As as fraudes estavam restritas a e-mails suspeitos, com erros grosseiros de português e links muito suspeitos que encaminhavam para sites falsos.

Porém, hoje, os criminosos estão mais sofisticados e utilizam múltiplos canais para enganar as vítimas. Com isso, a prática do vishing ganha força.

Baseado em técnicas de engenharia social, o vishing combina manipulação psicológica, urgência e simulação de autoridade para obter informações sensíveis de forma rápida.

Análises da Kaspersky, empresa global de cybersegurança, detectaram que o Brasil teve uma alta de 80% nesse tipo de golpe entre 2024 e 2025 em comparação com a análise do período anterior (2023/2024).

Entender o que é vishing, como ele funciona e como empresas e pessoas podem se proteger ajuda a reconhecer os sinais de fraude antes que seja tarde.

Siga na leitura para ficar alerta e saber também como o seguro cyber pode ser uma boa opção para se resguardar.

O que é vishing?

O vishing, também conhecido como voice phishing ou phishing por voz, é aplicado por meio de ligações telefônicas. Nele, o criminoso se passa por uma pessoa ou instituição confiável para convencer a vítima a fornecer informações confidenciais.

Imagine que seu telefone toca e, do outro lado da linha, alguém se identifica como atendente do seu banco. A pessoa sabe seu nome completo, fala de forma educada e até parece estar te ajudando. Só que não.

Essas ligações podem parecer legítimas, pois muitas vezes exibem números semelhantes aos de empresas reais ou utilizam roteiros bem elaborados. O objetivo é sempre acessar dados sensíveis, como senhas, códigos de autenticação, números de cartão ou informações pessoais.

Diferentemente de outros golpes digitais, o vishing acontece em tempo real. Isso aumenta o poder de persuasão do criminoso, que pode adaptar o discurso conforme a reação da vítima.

Qual a diferença entre phishing e vishing?

Apesar de estarem dentro do mesmo grupo de fraudes, phishing e vishing se diferenciam pelo canal utilizado.

No phishing tradicional, o golpe chega por e-mails falsos, mensagens de texto ou aplicativos. Nesse caso, a vítima recebe um link ou arquivo malicioso e é induzida a clicar ou fornecer dados em um site falso. Já o vishing acontece por telefone.

A principal diferença está na interação direta. Enquanto o phishing depende de ação autônoma da vítima, o vishing permite que o golpista conduza a conversa, pressione o ouvinte e reaja em tempo real.

Essa proximidade torna o golpe mais convincente e, por isso, mais perigoso.

Como funciona o vishing?

Os golpistas não improvisam. Há um roteiro bem estruturado por trás de cada ligação.

Primeiro, o criminoso entra em contato com a vítima, geralmente alegando um problema urgente, como uma compra suspeita, um bloqueio de conta, uma tentativa de fraude ou atualização de cadastro.

Em seguida, ele assume uma postura de autoridade (como um funcionário de banco, suporte técnico ou órgão oficial) e conduz a conversa de forma a gerar confiança.

A etapa final é a obtenção dos dados. Isso pode acontecer de forma direta, pedindo informações, ou indireta, induzindo a vítima a realizar ações, instalar aplicativos ou compartilhar códigos de verificação.

Tem um ponto que torna tudo ainda mais difícil de perceber. Muitos golpes utilizam técnicas como spoofing, que mascaram o número de telefone exibido. Ou seja, o número até pode aparecer como do seu banco, mas não é!

Por que o vishing é tão perigoso?

O principal diferencial do vishing é o uso da voz como ferramenta de manipulação. A conversa em tempo real permite criar conexão, urgência e pressão, elementos que reduzem o senso crítico da vítima.

Em geral, o telefone ainda é visto como um canal mais confiável do que e-mails ou mensagens de SMS desconhecidas. Isso faz com que muitas pessoas baixem a guarda durante a ligação.

E sabe qual é o pior ponto? A rapidez. Em poucos minutos, um criminoso pode obter dados suficientes para acessar contas, realizar transações ou aplicar outros golpes.

Como os criminosos criam senso de urgência?

A urgência é uma das principais armas do vishing. Os golpistas costumam usar frases de efeito. Quando alguém fala “sua conta será bloqueada agora” ou “identificamos uma transação suspeita”, pouca gente pensa com calma. Ou seja, esse tipo de abordagem provoca medo e pressiona a vítima a agir sem refletir.

O objetivo é impedir que a pessoa desligue, verifique a informação ou busque orientação. Quanto menor o tempo de reação, maiores as chances de sucesso do golpe.

Os golpistas usam ainda outros gatilhos psicológicos clássicos, como:

  • Autoridade: “sou do banco, estou aqui para te ajudar”;

  • Escassez (de tempo): “são só dois minutos, depois não tem mais jeito”.

O resultado é que a vítima acaba agindo no automático, e é exatamente isso que o criminoso quer.

Como os golpistas se passam por técnicos, bancos e autoridades?

Os criminosos investem cada vez mais na construção de credibilidade. Eles utilizam nomes de instituições conhecidas, linguagem técnica e até dados básicos da vítima (como nome completo e CPF, facilmente encontrados em buscas na internet).

Em alguns casos, simulam centrais de atendimento completas, com transferências entre “setores” e mensagens automáticas.

Também é comum que se apresentem como:

  • Funcionários de banco;
  • Suporte de empresas de tecnologia;
  • Operadoras de telefonia;
  • Representantes de órgãos públicos.

Essa simulação de autoridade reduz a desconfiança e aumenta a chance de a vítima seguir instruções sem questionar.

Quais tipos de dados os criminosos buscam no vishing?

Os dados mais comuns solicitados em golpes de vishing são:

  • Senhas bancárias;
  • Códigos de autenticação (SMS ou aplicativo);
  • Número do cartão e CVV;
  • CPF e dados pessoais;
  • Informações de login;
  • Acesso a aplicativos ou dispositivos.

Em alguns casos, o objetivo não é nem coletar dados, mas induzir a vítima a realizar transferências ou autorizar transações ela mesma.

Como reconhecer um golpe de vishing?

Alguns sinais ajudam a identificar esse tipo de fraude:

Solicitação de dados sensíveis por telefone
Nenhum banco sério vai pedir sua senha, número de cartão ou código de verificação em uma ligação.

Pressa excessiva ou tom alarmista
Essa encenação é proposital para impedir a vítima de pensar com clareza.

Pedido para não desligar a ligação
Desconfie na hora se isso acontecer. O golpista não quer que você confirme a história com outra pessoa.

Orientação para instalar aplicativos ou acessar links
Você nunca se deve fazer isso, sob hipótese alguma. Trata-se de uma tentativa de invasão remota ou captura de dados.

Informações vagas ou inconsistentes
Atendente se atrapalhando, sem saber dizer direito o seu nome ou mudando de assunto estranhamente são indicativos de golpe.

Número desconhecido ou estranho:
Embora hoje muitos criminosos usem spoofing, se você não reconheceu o número, é sempre bom desconfiar ou nem atender.

Erros mais comuns das vítimas no golpe de vishing

Ninguém está livre de cair em um golpe desses, pois os criminosos são preparados mesmo, estudam psicologia, sabem pressionar. Mas alguns comportamentos repetidos acabam facilitando a vida deles.

Entre os erros mais frequentes estão:

Confiar apenas na aparência da ligação
Mensagens no identificador de chamadas podem ser falsificadas.

Compartilhar códigos de verificação
Códigos por SMS ou no app do banco são intransferíveis. Nenhum funcionário legítimo vai pedir isso.

Não confirmar a veracidade da informação
Caso a pessoa diga que é do suporte da sua operadora, desligue e ligue de volta para o número oficial.

Permanecer na ligação mesmo com dúvidas
Tem gente que desconfia, mas continua na linha por educação ou medo. Lembre-se que desligar é sempre uma opção.

Agir por impulso diante de uma suposta urgência
Gatilhos de urgência e medo mexem com o emocional. Mas, no mundo financeiro, quase nada exige ação imediata por telefone.

Como se proteger contra o vishing?

A prevenção contra o vishing passa por comportamento e informação. Quanto mais as pessoas conhecem esse tipo de golpe, menor a chance de caírem nele.

Algumas boas práticas incluem:

  • Nunca compartilhar senhas ou códigos por telefone;

  • Desconfiar de ligações com tom urgente;

  • Encerrar a ligação e retornar pelos canais oficiais;

  • Evitar fornecer dados pessoais sem confirmação;

  • Manter-se informado sobre novos golpes.

O que fazer ao receber uma ligação suspeita?

Ao identificar sinais de vishing, o primeiro passo é tentar manter a calma. Pode ser difícil, mas o caminho é evitar decisões impulsivas.

O mais seguro é:

  • Encerrar a ligação imediatamente;

  • Não fornecer nenhuma informação;

  • Entrar em contato com a instituição pelos canais oficiais;

  • Registrar o ocorrido, se necessário.

O que fazer após cair em um golpe de vishing?

Ok, você ficou nervoso e acabou levando o golpe. Mas se deu conta a tempo e agora é agir para reduzir danos, Então, é importante seguir alguns passos:

  • Entrar em contato com o banco ou instituição envolvida;

  • Bloquear cartões e acessos;

  • Alterar senhas imediatamente;

  • Registrar boletim de ocorrência;

  • Monitorar movimentações financeiras.

Quais os riscos do vishing para empresas?

Para empresas, os impactos podem ser ainda mais graves. Um único ataque pode resultar em:

Vazamento de dados sensíveis
Informações de clientes, fornecedores e funcionários podem vazar. Uma vez na mão errada, esses dados viram moeda de troca ou são vendidos na dark web.

Perdas financeiras
Transferências autorizadas sem querer, compras não reconhecidas e resgates de valores são prejuízos que podem cair direto na conta da empresa, muitas vezes sem chance de estorno.

Comprometimento de sistemas internos
Com a senha de um colaborador, o golpista consegue entrar na rede, instalar programas maliciosos e até travar tudo para pedir resgate (ransomware).

Danos à reputação
Se o cliente descobre que seus dados vazaram por causa de um golpe, se vai a confiança, um importante ativo no mundo dos negócios.

Problemas legais e regulatórios
Conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), vazamento por falta de segurança pode render multas pesadas e até ações judiciais. Órgãos reguladores de setores específicos (bancos, planos de saúde, etc.) também podem aplicar sanções.

Como empresas podem se proteger em caso de vishing?

Colaboradores despreparados podem se tornar pontos de vulnerabilidade. Para não pecar nesse sentido, a proteção de uma empresa começa com informação e passa por medidas simples que devem virar hábitos na rotina organizacional:

Treinamento contínuo de colaboradores
Golpes mudam o tempo todo, por isso simulações periódicas (tipo enviar “ligações teste” falsas) mantêm as equipes com o radar ligado.

Políticas claras de segurança da informação
Deve-se usar regras escritas, simples e acessíveis, sem margem para dúvidas, como “nunca forneça senhas por telefone” e “qualquer solicitação incomum deve ser verificada com o gestor”.

Verificação de identidade em processos internos
Para pedidos de acesso, deve-se exigir sempre um segundo canal de confirmação, como um e-mail corporativo ou uma ligação de volta para um número oficial.

Monitoramento de acessos e atividades
Comportamentos estranhos (como um funcionário tentando ver dados fora do seu escopo) disparam alertas antes que o estrago seja grande.

Cultura organizacional voltada à segurança
Segurança não pode ser vista como “coisa do TI” ou “burocracia chata”. Precisa ser um valor que vem da liderança. Empresas que investem em prevenção reduzem bastante o risco.

Como o seguro cyber atua em caso de vishing contra empresas?

O seguro cyber atua como uma camada adicional de proteção. Muitas apólices oferecem suporte especializado para contenção e redução de danos.

Em casos de vishing, o seguro pode cobrir:

  • Prejuízos financeiros decorrentes do golpe;

  • Custos com investigação e resposta a incidentes;

  • Serviços de recuperação de dados;

  • Suporte jurídico e comunicação de crise.

Como contratar o seguro cyber?

A contratação do seguro cyber deve considerar o perfil de risco da empresa, incluindo porte, setor e nível de exposição digital. O ideal é contar com apoio especializado para avaliar necessidades e coberturas adequadas, garantindo proteção compatível com a realidade do negócio.

O seguro cyber é uma sólida estratégia de segurança em um mundo em que ataques como o vishing são cada vez mais frequentes e sofisticados.

No fim, o vishing funciona menos por tecnologia e mais por pressão emocional, ou seja, a partir do comportamento humano. Por isso, a informação é uma das formas mais eficazes de proteção.

Ao entender como esse tipo de golpe funciona, fica muito mais fácil reconhecer sinais de risco e agir com segurança.

Se quiser entender quais coberturas fazem sentido para o seu negócio, vale conversar com um especialista da Mutuus e simular agora.

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