Os golpes virtuais já fazem parte da rotina de quem usa internet, aplicativos de mensagens e serviços financeiros.
Segundo análise da PPTech, escritório de advocacia especializado em cibersegurança e direito, o Brasil está entre os dez países que mais sofrem perdas no PIB em decorrência de golpes e fraudes cibernéticas.
Para as empresas, o problema ganha outra dimensão. Afinal, uma organização é formada por pessoas que acessam e-mails, sistemas, bancos, redes sociais e aplicativos todos os dias. Basta uma credencial exposta ou uma transferência feita para o destinatário errado para transformar um golpe individual em um problema corporativo.
A seguir, entenda melhor o que são golpes virtuais, seus principais tipos, os maiores riscos para empresas e importância de contratar um seguro cyber.
O que são golpes digitais?
Golpes digitais são fraudes realizadas com o uso de recursos tecnológicos, como internet, aplicativos, redes sociais, e-mail, sites e sistemas de pagamento.
O objetivo pode ser obter dinheiro, roubar credenciais, capturar informações pessoais ou empresariais, assumir uma conta ou induzir a vítima a realizar alguma ação em benefício do criminoso.
O cibercrime nem sempre depende de uma invasão sofisticada. Em muitos casos, o criminoso usa técnicas como phishing e engenharia social para convencer alguém a entregar voluntariamente uma informação ou realizar uma operação.
Como os golpes online funcionam na prática?
Imagine uma pessoa que recebe uma mensagem dizendo que existe uma cobrança pendente em seu nome. O texto traz a identidade visual de uma empresa conhecida e um botão para “regularizar a situação”. A vítima clica, informa seus dados e, sem perceber, entrega as informações diretamente ao criminoso.
Agora repense a mesma situação para uma empresa. Um funcionário do setor financeiro recebe um e-mail aparentemente enviado por um fornecedor. A mensagem informa que os dados bancários foram alterados e solicita que o próximo pagamento seja feito em uma nova conta.
Se o colaborador não confirmar a alteração por outro canal, o dinheiro pode ser enviado diretamente para o fraudador. Ou seja, a tecnologia pode ser utilizada para construir a fraude, mas é uma pessoa que muitas vezes acaba realizando a ação.
Por isso, a segurança corporativa não depende apenas de antivírus, firewalls e sistemas de autenticação. Treinamento, procedimentos internos e confirmação de operações sensíveis também fazem parte da proteção.
Quais são os golpes online mais comuns hoje?
Os métodos mudam constantemente, mas alguns formatos continuam aparecendo com frequência.
1 – Phishing
Phishing é uma tentativa de obter informações por meio de uma comunicação falsa que imita uma pessoa ou organização legítima. Pode chegar por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens.
A mensagem apresenta algum motivo para estimular uma ação rápida, como uma conta bloqueada, uma cobrança, uma atualização cadastral ou uma irregularidade. O risco aumenta quando a pessoa clica no link e fornece credenciais ou dados financeiros.
2 – Engenharia social
Aqui, o foco está no comportamento da vítima. O criminoso pode se passar por um funcionário do banco, um cliente, um fornecedor ou um superior hierárquico.
Em uma empresa, uma abordagem desse tipo pode tentar convencer alguém do financeiro a realizar uma transferência ou compartilhar uma informação confidencial.
O golpista procura criar uma situação em que questionar a solicitação pareça desnecessário ou até inconveniente.
3 – Promoções relâmpago
Preços muito abaixo do mercado e ofertas com tempo extremamente limitado são usados como isca. O objetivo costuma ser fazer a vítima agir antes de verificar a procedência da página ou do vendedor.
4 – Golpes de e-commerce
Uma loja virtual falsa pode reproduzir nome, aparência e produtos de uma empresa real. A vítima realiza a compra, efetua o pagamento e descobre posteriormente que a mercadoria nunca existiu.
Também há fraudes praticadas por compradores, como o envio de comprovantes falsos de pagamento. Por isso, empresas não devem considerar um comprovante como confirmação definitiva, é necessário verificar se o dinheiro efetivamente entrou na conta.
5 – Clonagem de WhatsApp
Nesse golpe, criminosos procuram obter acesso à conta da vítima ou criam um novo número utilizando sua identidade e fotografia. Depois, entram em contato com familiares, amigos ou colegas e solicitam dinheiro.
No ambiente empresarial, uma situação semelhante pode ser usada para se passar por um funcionário, sócio ou fornecedor.
6 – Furto de identidade
A fraude de identidade utiliza informações de outra pessoa para criar contas, acessar serviços ou realizar operações. No ambiente corporativo, o risco pode envolver tanto funcionários e clientes quanto representantes da própria organização.
7 – Pharming
O pharming procura redirecionar o usuário para um site falso, mesmo quando ele acredita estar acessando uma página legítima. O objetivo é capturar informações como credenciais e dados financeiros.
Esse tipo de fraude pode ser especialmente perigoso porque a vítima pode não perceber imediatamente que saiu do ambiente verdadeiro.
8 – Golpe do pix
O pix trouxe velocidade para os pagamentos, mas essa mesma característica é explorada pelos fraudadores em diferentes modalidades, como venda falsa, falsa central bancária e QR Code adulterado.
Como deepfakes e IA estão mudando o cenário das fraudes?
A inteligência artificial reduziu algumas barreiras para produzir conteúdos falsos convincentes. Imagens, vozes e vídeos podem ser manipulados para representar pessoas reais.
Isso muda uma regra antiga da segurança digital, pois não basta mais confiar na aparência de uma mensagem, imagem ou gravação. Uma voz semelhante à de um executivo não deveria, sozinha, autorizar uma transferência de alto valor.
Por isso, empresas precisam criar procedimentos de confirmação independentes para operações sensíveis.
Vazamentos de dados alimentam fraudes e aumentam prejuízos?
Dados pessoais e corporativos podem ser utilizados para tornar uma fraude mais convincente. Quanto mais informações o criminoso conhece sobre a vítima, mais fácil pode ser construir uma abordagem personalizada.
Um fraudador que sabe o nome do fornecedor, o nome do responsável pelo financeiro, o valor aproximado de uma fatura e a data habitual de pagamento aumenta muito as chances de uma mensagem falsa parecer legítima.
Por isso, proteger dados não significa apenas cumprir uma obrigação de segurança. Também significa dificultar a preparação de golpes futuros.
Quais golpes virtuais mais preocupam as empresas?
As empresas estão atentas às mudanças e aos impactos dos golpes virtuais. Em levantamento recente, a Serasa Experian apontou que as principais preocupações corporativas são fraudes de identidade, financeiras, vazamentos de dados, deepfakes, ataques AiTM (Adversary-in-the-Middle, ou, na tradução para o português, “adversário no meio”), vulnerabilidades no comércio eletrônico e o uso de inteligência artificial.
Há uma certa “profissionalização” do crime, com diferentes participantes atuando na engenharia social, captura de credenciais e monetização da fraude, o que torna a resposta mais complexa.
Por conta disso, uma empresa precisa proteger tanto seus sistemas quanto os processos que permitem movimentar dinheiro, acessar informações e representar a organização perante terceiros.
Como pagamentos instantâneos aceleram golpes e reduzem a chance de reversão?
Em uma transferência tradicional, pode existir algum intervalo entre a identificação do problema e a conclusão da operação. Nos meios instantâneos, esse tempo é muito menor. O dinheiro pode ser transferido em segundos, enquanto a descoberta da fraude acontece minutos ou horas depois.
Sendo assim, empresas devem estabelecer regras claras para pagamentos fora do padrão, especialmente alterações de dados bancários e transferências de valores elevados.
Como treinar equipes para reduzir risco de phishing e engenharia social?
Treinamento não precisa ser uma palestra anual sobre segurança da informação. Uma abordagem mais útil é trabalhar com situações que realmente podem aparecer no cotidiano.
O ideal é mostrar exemplos de e-mails falsos, pedidos urgentes, alterações de conta bancária e mensagens de supostos gestores. Também é importante estabelecer como regra que operações sensíveis precisam ser confirmadas por outro canal.
Se um fornecedor solicita alteração de dados bancários por e-mail, por exemplo, a equipe pode confirmar a informação utilizando um telefone ou contato previamente cadastrado.
O treinamento também deve explicar que pedir confirmação não é falta de confiança, mas um procedimento de segurança.
O que fazer imediatamente ao perceber um golpe ou suspeita de fraude?
A velocidade da resposta pode influenciar o tamanho do prejuízo. Se houver transferência indevida, deve-se entrar imediatamente em contato com a instituição financeira pelos canais oficiais e informar a suspeita.
Também é importante bloquear ou alterar credenciais comprometidas, preservar mensagens, e-mails, comprovantes e outros registros relacionados ao golpe. Dependendo da situação, registra-se um boletim de ocorrência e comunica-se os demais envolvidos.
Como montar uma resposta a incidentes para reduzir danos na empresa?
Uma empresa não deve decidir o que fazer durante a própria emergência. Por isso, é preciso definir previamente quem deve ser acionado quando houver suspeita de fraude, quem pode bloquear acessos, quem conversa com o banco e quem registra o incidente.
O procedimento também deve determinar como preservar evidências e comunicar clientes, fornecedores ou autoridades quando necessário.
Quanto mais claro for o fluxo, menor a chance de a equipe perder tempo discutindo responsabilidades enquanto o problema continua acontecendo.
Quais erros mais comuns aumentam a vulnerabilidade a fraudes digitais nas empresas?
Alguns problemas aparecem justamente em processos aparentemente simples:
- Compartilhar senhas ou utilizar a mesma senha em diferentes sistemas;
- Não utilizar autenticação multifator quando disponível;
- Permitir que pagamentos sejam feitos sem dupla conferência;
- Alterar dados bancários de fornecedores sem confirmação;
- Manter sistemas e aplicativos desatualizados;
- Não controlar adequadamente os acessos de ex-funcionários;
- Ignorar treinamentos de segurança;
- Não ter um procedimento para responder a incidentes;
- Confiar apenas em ferramentas tecnológicas, sem considerar o comportamento das pessoas.
Como golpes em pessoas viram risco para empresas?
Um funcionário pode ser vítima de phishing em seu computador pessoal e ter uma senha corporativa comprometida ou, ainda, pode receber uma ligação falsa enquanto trabalha e revelar informações sobre a empresa. Um executivo pode ter sua identidade utilizada para solicitar uma transferência.
Ou seja, a fronteira entre o risco pessoal e o corporativo é bastante permeável. Por isso, a segurança precisa acompanhar a rotina das pessoas que trabalham na empresa, especialmente aquelas que têm acesso a dinheiro, dados de clientes, sistemas administrativos e informações estratégicas.
Como se proteger contra golpes virtuais?
A proteção começa por reduzir as oportunidades de erro e algumas medidas são especialmente importantes:
- Utilize senhas fortes e exclusivas;
- Habilite autenticação multifator;
- Mantenha sistemas e aplicativos atualizados;
- Não clique em links suspeitos;
- Acesse bancos e serviços diretamente pelos canais oficiais;
- Confirme pedidos de pagamento por outro meio;
- Limite acessos aos dados conforme a função de cada colaborador;
- Faça backups;
- Treine a equipe regularmente;
- Estabeleça um procedimento para responder rapidamente a incidentes.
Nenhuma dessas medidas elimina completamente o risco. O objetivo é criar diferentes barreiras, de modo que uma única falha não seja suficiente para comprometer toda a operação.
Qual a importância do seguro cyber em caso de golpes virtuais?
Prevenção e transferência de risco cumprem funções diferentes. Mesmo com treinamento, autenticação, backups e controles internos, uma empresa ainda pode sofrer um incidente cibernético.
O seguro cyber pode oferecer proteção para determinados prejuízos e despesas relacionados a eventos cobertos, conforme as condições da apólice. Dependendo do produto contratado, podem existir coberturas relacionadas a resposta a incidentes, recuperação de dados, responsabilidade perante terceiros e outros custos decorrentes de eventos cibernéticos.
É importante não tratar o seguro como uma cobertura genérica contra qualquer golpe. As situações amparadas, limites, franquias, exclusões e demais condições dependem da apólice. Por isso, a contratação precisa considerar os riscos específicos da empresa.
Como contratar o seguro cyber para sua empresa?
Comece identificando quais informações e sistemas são mais importantes para a operação. Uma empresa que armazena dados de muitos clientes pode ter uma exposição diferente daquela que utiliza poucos sistemas e mantém maior parte dos dados localmente.
Também é importante avaliar o nível de dependência da empresa de sistemas digitais, histórico de incidentes, controles existentes e possíveis impactos de uma paralisação.
Na hora de comparar propostas, observe as coberturas, limites de indenização, franquias, exclusões e serviços de resposta disponíveis. A Mutuus pode ajudar sua empresa a avaliar essas alternativas e encontrar um seguro cyber compatível com a realidade da operação.
Os golpes virtuais mudam de aparência, mas muitas fraudes continuam explorando elementos bastante conhecidos, como confiança, pressa, medo e falta de confirmação.
Nas empresas, esse risco se amplia, por isso, proteger a organização exige uma combinação de tecnologia, processos, treinamento e preparação para resposta rápida.
O seguro cyber pode ser parte dessa estratégia. Ele não substitui controles de segurança nem impede uma fraude, mas vai ajudar a empresa a lidar financeiramente com determinados incidentes cobertos pela apólice.

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